Vanessa Cavalazzi assume a Procuradoria-Geral de Justiça e destaca a representatividade feminina

Vanessa Cavalazzi assume a Procuradoria-Geral de Justiça e destaca a representatividade feminina
Foto: Vick Fortes/Jovem Pan News Florianópolis

Na manhã desta terça-feira (25), Vanessa Cavalazzi, a primeira mulher a ocupar o cargo de procuradora-geral de Justiça de Santa Catarina, participou de uma entrevista no programa Jogo do Poder, da Jovem Pan News Florianópolis, com o jornalista Emanuel Soares. Durante a conversa, Vanessa falou sobre a importância da representatividade feminina na liderança do MPSC (Ministério Público de Santa Catarina) e a responsabilidade que esse marco representa.

Ao falar sobre a relevância histórica de sua nomeação, a nova procuradora-geral destacou o simbolismo de ser a primeira mulher a comandar o MPSC. “O signo, o exemplo, o paradigma é muito importante, porque é quase uma declaração para as nossas filhas, nossas netas e nossas sobrinhas de que esse já não é mais um lugar onde só homens tinham acesso. Hoje nós podemos dizer que uma mulher já chegou lá. Então, a porta está aberta, para muitas outras que virão certamente depois de mim. Isso, de certa forma, dá a nós uma grande responsabilidade”, afirmou.

Vanessa também ressaltou o olhar diferenciado das mulheres para o mundo e como esse ponto de vista enriquece o ambiente profissional e as instituições públicas. “Nós temos lentes diferentes, nós diagnosticamos o mundo e as coisas da vida de uma forma um pouco diferente e usamos estratégias e mecanismos de diálogos diferentes. Isso torna o ambiente profissional e o ambiente das instituições públicas muito rico e isso é um ganho para a nossa instituição também”, explicou, enfatizando que, ao longo de sua carreira no MPSC, que começou em 1996, o número de mulheres na instituição tem crescido significativamente.

A nova procuradora-geral de Justiça também abordou o processo de ascensão das mulheres, destacando que, hoje, elas são maioria nos concursos públicos, embora a carreira feminina ainda enfrente desafios, como o tempo mais longo de progressão. “A carreira de uma mulher costuma ser um pouco mais lenta que as dos homens. Como parte de uma estrutura, nós ainda ocupamos diversas funções ao mesmo tempo e isso faz com que nós nos atrasemos na progressão de carreira”, revelou, refletindo sobre sua trajetória pessoal, que a levou a permanecer 25 anos como promotora de Justiça substituta na intenção de criar os filhos em um só lugar.

Vanessa compartilhou também uma reflexão pessoal, ao relembrar a celebração de seus 50 anos, quando seu filho usou o microfone para expressar seu apoio à realização de seus sonhos profissionais. “Ele disse que todos esses anos eu abri mão de coisas em função de nós, e que estava na hora de eu voar e concretizar sonhos profissionais. Eu nunca falei disso com ele, mas ele percebeu que isso existia. E muitas de nós vivem essa história, profissional e pessoal, um pouco partida. É como se a gente nunca estivesse inteiras no mesmo lugar o tempo todo”, afirmou.

Com 29 anos de carreira no Ministério Público, Vanessa Cavalazzi assume o cargo de procuradora-geral com a missão de promover a justiça e a equidade, servindo como exemplo para as futuras gerações de mulheres que aspiram a cargos de liderança no setor público.

Propostas de atuação

Vanessa Cavalazzi assume a Procuradoria-Geral de Justiça de SC e destaca a representatividade feminina
Foto: Reprodução/Jovem Pan News Florianópolis

Vanessa Cavalazzi destacou que uma das propostas é o aprofundamento da democracia interna e da interlocução externa com os demais poderes, defendendo que os promotores de cada região do Estado tenham autonomia para definir as prioridades de atuação conforme as necessidades locais.

“Nós temos um Oeste agroindustrial, um Sul cerâmico, um Norte metalmecânico. Nós temos um desenho de Estado onde os problemas são diferentes em nível regional e hoje o MPSC trabalha por programas estadualizados, como por exemplo o programa de estadualização da acessibilidade”, afirmou.

Um exemplo é a cidade de Tangará, na Serra catarinense, que foi construída em vértice, ou seja, a acessibilidade em Tangará é muito diferente da acessibilidade em Florianópolis.

“Ela não pode ser tratada nem com o mesmo nível de prioridade, porque em Tangará, por exemplo, educação é algo essencial para a virada de jogo daquele pedaço do Estado que ainda tem índices de desenvolvimento humano mais baixos que as demais regiões. Lá as prioridades podem ser outras”, disse a procuradora-geral.

Deste modo, os problemas variam regionalmente e é importante que a atuação do Ministério Público considere as diferenças entre as realidades de cada localidade, para garantir uma resposta mais eficaz às demandas da sociedade.




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