Presidente do Sinduscon propõe soluções ao trânsito de Florianópolis e aborda sustentabilidade na construção

Presidente do Sinduscon propõe soluções ao trânsito de Florianópolis e aborda sustentabilidade na construção
Foto: Jovem Pan News Florianópolis

O presidente do Sinduscon da Grande Florianópolis, Carlos Leite, participou do podcast Cidades Sustentáveis, do Grupo Jovem Pan, na última semana e, durante a conversa, falou sobre os desafios de buscar a sustentabilidade no setor da construção civil e abordou temas como direito à moradia e mobilidade urbana.

Com vasto currículo na área de urbanismo, tendo participado de projetos desenvolvidos tanto para o poder público como para associações comunitárias e empresariado, o engenheiro civil destaca que sua bandeira e da entidade que preside é a busca por uma cidade melhor e sustentável. Ele defende, no entanto, que, para ser sustentável, uma cidade precisa ter condições ambiental, econômica e social.

No caso de Florianópolis, segundo Carlos Leite, do plano diretor de 1985 ao atual, a Capital já se adequou e avançou em muitos quesitos, mas há um ponto crucial que tem muito a evoluir: o fluxo de veículos, principalmente na temporada de verão.

O engenheiro comenta que, somente na região metropolitana de Florianópolis, vivem cerca de um milhão de habitantes. No mês de janeiro, cita, de 80 mil a 100 mil veículos cruzaram a SC-401 diariamente. E, além desta rodovia, diz que os moradores estão restritos a se deslocar pela SC-405, Via Expressa e BR-101, o que faz com que o congestionamento chegue até o pé da Serra.

“Os congestionamentos são comuns em qualquer destino turístico. Mas aqui, nós temos que perseguir uma condição melhor de acesso à habitação para que as pessoas possam trabalhar mais próximas de onde moram, ou morar mais próximas de onde trabalham”, diz.

Além de uma condição melhor de moradia, defende uma melhoria no transporte coletivo, ao qual não limita a ônibus, metrô e trens, mas a um modal que seja adequado às características topográficas, econômicas e geográficas, principalmente na Ilha de Santa Catarina, que possui a costa insular e a costa continental. Para ele, o transporte é pensado de forma individual atualmente e pontua a necessidade de discutir questões como sustentabilidade e qualidade de vida para todos os públicos.

“Nós, da construção civil, temos a obrigação de buscar alternativas e brigar por aquilo que chamamos de centralidades urbanas e microcentralidades urbanas, que no caso do plano diretor de Florianópolis já estão presentes. Mas agora temos que fazer com que elas efetivamente aconteçam. A hora que a pessoa não precisar se deslocar para ir à padaria ou levar o filho na escola, é óbvio que vai melhorar a questão da mobilidade, do efeito estufa, melhora tudo”, diz.

Cidades precisam se planejar, defende

Carlos Leite destaca que, de 1985 pra cá, quando foi promulgado o primeiro plano diretor na Capital, não restam dúvidas de que ocorreram evoluções, principalmente porque as discussões contaram com a participação popular no decorrer das décadas.

Segundo ele, atualmente, graças a um esforço de entidades como o Sinduscon, a habitação social pode ser construída em qualquer lugar do município, sem segregações. Isso faz com que o movimento pendular diminua.

“Temos que entender que essa questão da habitação social não existe só para resolver o problema daquelas pessoas que estão em situação de risco, isso aí é um pedaço da habitação de interesse social. Temos que enxergar a habitação de interesse social como algo maior, que hoje pelas regras no país, é desenvolvida para famílias com até dez salários mínimos. E isso precisa ser enxergado, e está dentro do nosso plano”, destaca.

O presidente do Sinduscon defende a adequação das cidades ao crescimento populacional e desenvolvimento urbano. Ele traz como exemplo as regiões do Campeche e do Rio Vermelho que, no plano diretor de 1985, tinham áreas residenciais exclusivas para exploração rural. À época, quando as famílias eram compostas por cinco ou mais integrantes, e ocorria a divisão do território aos herdeiros, era possível identificar servidões quilométricas sendo cortadas por travessões.

Isso porque, explica, o plano diretor era restritivo e impunha que aquelas áreas fossem de exploração rural. No entanto, o modo de subsistência mudou, já que a população cresceu e a cidade se urbanizou.

“Hoje, o nosso desafio é fazer com que os municípios na Grande Florianópolis e região, são 22 que estão na área de abrangência do Sinduscon, percebam que o desenvolvimento urbano está chegando e tenham um planejamento anterior. A cidade cresce, se movimenta. É um ser vivo. E isso precisa ser considerado”, define.

Desafios da construção civil

Além da mobilidade urbana, Carlos Leite diz que APPs (áreas de preservação permanente), ocupações irregulares de território e pouco avanço tecnológico são alguns dos desafios da construção civil em Florianópolis.

Com relação às áreas de preservação, pontua que esses espaços precisam ter um valor econômico, sejam eles privados ou públicos. “Nunca desapropriam esses espaços ou indenizam os proprietários. Temos que buscar uma solução. Essas APPs não são um problema, mas precisam ter um valor econômico. Alguém precisa ganhar em cima para que fique protegido”, fala.
Já no que diz respeito a ocupações irregulares, reconhece que seja um problema, no entanto, defende a necessidade de dar condições a essas pessoas de morarem e construírem em áreas legais.

“Tem que haver um grande pacto, tem que haver um entendimento que a cidade é para todos. Precisamos concentrar as pessoas em determinados pontos para que tenham acesso aos serviços públicos da infraestrutura básica, como saneamento e pavimentação energia elétrica”.

Outro ponto que cita que afeta o setor no Brasil é o pouco avanço tecnológico. Para ele, no país, ainda “empilhamos tijolos” e isso faz com que sobre serviços e falte mão de obra.

“A maneira que temos pra suprir esta demanda é termos mais tecnologia para que as coisas aconteçam com menos mão de obra e menos resíduos. E não digo que as pessoas vão perder seus empregos, elas têm buscado outras áreas do setor. Mas temos que ter novas tecnologias para reduzir o consumo e dar conta deste “apagão” na mão de obra do setor”, finaliza.




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