
Santa Catarina será foco da Shein em sua expansão no Brasil no primeiro trimestre de 2025. A gigante asiática do varejo on-line tem a meta de cadastrar pelo menos mil novos parceiros locais no marketplace até o fim de março, mais do que dobrando os 600 vendedores atuais. A plataforma própria da empresa reúne diversas lojas virtuais, incluindo vendedores de roupas e acessórios.
Felipe Feistler, executivo ex-Shopee que comanda a operação brasileira da Shein, confirmou que o Estado será a prioridade da companhia nesta expansão. “É o primeiro Estado que faremos a expansão neste ano”, revelou.
A Shein iniciou a operação de seu marketplace no Brasil em 2023, com foco inicial em São Paulo. Em 2024, expandiu para o Rio de Janeiro, Minas Gerais e Paraná, e em 2025 incluirá novos estados como Rio Grande do Sul, Espírito Santo, Goiás e Distrito Federal. Segundo Feistler, trata-se de uma “escolha óbvia” por se tratar da sexta maior economia do país e de um importante polo produtor têxtil.
Cidades como Blumenau e Brusque, dois dos principais polos têxteis catarinenses, estão na lista de prioridades nessa busca por novos parceiros. Mas a procura também vai abranger Florianópolis, Joinville e Itajaí. Em Santa Catarina, segundo Feistler, a empresa tem visto um movimento inverso do habitual: em vez de ir a fundo na prospecção, muitos vendedores acabaram vindo atrás da plataforma.
Para entrar nela, os potenciais parceiros passam por uma espécie de filtro, onde a companhia avalia a capacidade de entrega de valor. Embora o carro-chefe seja moda, o marketplace da Shein não vende só peças de roupa. São mais de 20 categorias, incluindo sapatos e artigos de decoração para casa. Em 2025, livros e alimentos também serão acrescentados.
Hoje a Shein concentra a sua operação de logística de distribuição em três galpões instalados em Guarulhos (SP), que somam uma área de armazenagem de 256 mil metros quadrados. A expansão da plataforma pode fazer a empresa considerar investimentos em novas estruturas físicas, como centros de distribuição menores, em outros estados, admite Feistler. Questionado pela coluna se Santa Catarina estaria no radar, o executivo disse que “vai depender da demanda”.
O marketplace da Shein já reúne 30 mil vendedores e representa 60% das vendas da companhia no Brasil – o primeiro mercado a contar com esse tipo de estrutura. A estimativa, antecipou Feistler, é ampliar esse volume para algo entre 40 mil e 50 mil até o fim do ano. A vitrine é imensa: a empresa diz ter mais de 50 milhões de usuários no país. Tamanha exposição, claro, tem um preço. Os parceiros desembolsam à gigante varejista uma comissão de, em média, 16% sobre o preço de venda do produto. Alguns itens mais pesados podem pagar taxas maiores.
O potencial do mercado consumidor, com mais de 200 milhões habitantes, a robusta cadeia de suprimentos da indústria da moda e a qualificação da mão de obra, apesar dos problemas do país na educação, explicam a alta aposta da Shein no Brasil, explicou Feistler. O modelo de negócios da empresa ajuda, segundo o executivo, por ser mais flexível. Normalmente, são produzidas quantidades pequenas de uma mesma peça de roupa, entre 100 e 200 unidades. Além de ampliar a variedade, isso permite testar a reação do consumidor e identificar tendências. E abre até uma margem para que a empresa possa “errar”, diz ele.
Desde que desembarcou no Brasil, em 2022, a Shein já investiu mais de 300 milhões de dólares, informou o executivo. Entre junho de 2022 e dezembro de 2024, a companhia contratou 400 colaboradores. Nas operações de armazéns e de logística, são 3,5 mil empregos diretos e indiretos criados. Até o final de 2026, o plano é que 85% das vendas no país venham do próprio mercado nacional.