Homens do Sambaqui: saiba quem foram os primeiros habitantes de Florianópolis

Homens do Sambaqui: saiba quem foram os primeiros habitantes de Florianópolis
Ossos de um esqueleto encontrado no Rio Tavares, Sul da Ilha, em 2018 | Foto: Jéssica Schmidt/Jovem Pan News Florianópolis

A história de Florianópolis pode ser descoberta de diversas maneiras, e uma das formas mais fascinantes de mergulhar no passado da cidade é por meio dos museus. Dois espaços que se destacam nesse cenário são o Museu do Homem do Sambaqui e o Museu da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina), locais onde é possível explorar o legado dos povos que habitaram a região muito antes da formação como conhecemos hoje. Em homenagem aos 352 anos da Capital catarinense, a Jovem Pan News Florianópolis preparou uma série de curiosidades sobre a Ilha de Santa Catarina.

Museu do Homem do Sambaqui

Museu do Homem do Sambaqui Padre João Alfredo Rohr , localizado no Colégio Catarinense, é um dos espaços menos conhecidos pela população, mas guarda um acervo valioso que remonta os primeiros habitantes da Ilha. Com mais de 350 mil peças no acervo, aproximadamente 1500 delas estão expostas ao público, permitindo uma imersão no processo de evolução até a Florianópolis contemporânea.

A estudante Beatriz Pizzatto, de 11 anos, relata sua surpresa ao visitar o museu pela primeira vez. “É engraçado, porque eu nunca imaginei ver uma cabeça meio quebrada, ossos um pouco desmontados de uma pessoa”, conta, refletindo sobre a experiência de ver os restos humanos expostos. Seu relato evidencia a importância do museu para a educação e o entendimento histórico, especialmente para o público jovem.

O estudante Otávio de Oliveira, também de 11 anos, destaca a relevância das antiguidades do museu para compreender o passado. “Se não tivesse encontrado essas coisas antigas, esses fósseis, ninguém ia saber da história de antes”, afirma, reconhecendo a importância dos artefatos arqueológicos.

Os primeiros habitantes da Ilha

Os primeiros humanos a habitar o litoral catarinense foram os Homens do Sambaqui, uma civilização que se estabeleceu na região há cerca de 8500 anos. Esses povos eram caçadores, coletores e pescadores, que costumavam enterrar os mortos com adornos, deixando para trás vestígios de sua cultura. O nome “Sambaqui” vem do tupi-guarani, significando “monte de conchas”, já que esses povos construíam grandes montes feitos de conchas, restos de alimentos e sepultamentos.

Homens do Sambaqui: saiba quem foram os primeiros habitantes de Florianópolis
Ossada de um homem jovem, aproximadamente 25 anos, morto há mil anos na praia da Tapera, por flechada que ficou cravada em uma vértebra torácica | Foto: Jéssica Schmidt/Jovem Pan News Florianópolis

De acordo com a museóloga Caroline Liebl de Bastos, os sambaquis podem ser vistos como uma “lixeira pré-histórica”, ou seja, um acúmulo de objetos descartados e restos mortais. “São muitos anos de acúmulo de coisas. Eles vão mudando de um lugar para o outro e, quando voltam, continuam essa construção, que vai se elevando com o passar do tempo”, explica Caroline.

Considerados os maiores do mundo, os sambaquis de Santa Catarina são encontrados em grande quantidade, principalmente na Grande Florianópolis, com mais de 100 sítios arqueológicos identificados. O Colégio Catarinense, por meio do museu, abriga fósseis que datam de 1000 a 3000 anos, reforçando a ideia de que esses povos foram os primeiros a habitar a região.

O legado do Padre João Alfredo Rohr

A figura do padre João Alfredo Rohr, ex-diretor e professor do Colégio Catarinense, é fundamental para o resgate da história dos povos originários da Ilha. Conhecido como um dos grandes escavadores brasileiros, ele foi responsável pela descoberta de mais de 400 sítios arqueológicos em todo o Estado de Santa Catarina, trazendo à tona vestígios de uma história até então desconhecida para muitos.

O passado ainda presente

Recentemente, em 2018, durante a construção do elevado do Rio Tavares, no Sul da Ilha, foi encontrado um esqueleto humano em um sambaqui da região. A arqueóloga Luciane Zanenga Scherer, do MArquE/UFSC (Museu de Arqueologia e Etnologia Oswaldo Rodrigues Cabral da UFSC), fez parte da equipe que retirou os ossos do local.

A área de mangue, onde o esqueleto foi encontrado, dificultou a conservação dos restos mortais, especialmente do crânio, que estava fragmentado e não pôde ser reconstituído pelos estudiosos.

Esses achados reforçam a importância dos estudos arqueológicos e a presença contínua do passado no presente, desafiando os habitantes atuais de Florianópolis a refletirem sobre suas origens e a preservação de sua história.




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