Cacau Menezes aos 70 anos: uma vida entre polêmicas, paixões e jornalismo

Cacau Menezes aos 70 anos: uma vida entre polêmicas, paixões e jornalismo
Foto: Germano Rorato/ND/Reprodução

Ele já dividiu espaço com Maradona, entrevistou Chico Buarque e tem Caetano Veloso como ídolo. Hoje, seu modelo é Mick Jagger. Ouve Roberto Carlos e Bob Dylan. Ele pilota sua Harley-Davidson por Coqueiros, revivendo os velhos tempos. Cacau Menezes, o manezinho mais icônico do jornalismo catarinense, completa 70 anos de vida e mais de 50 de carreira, sem perder a relevância.

Irreverente, polêmico, amado por muitos e odiado por poucos, ele venceu o câncer, encara a leucemia de frente e vive um momento de paz. Comemorando sete décadas de histórias, o colunista mais famoso de Florianópolis se prepara para transformar sua trajetória em livro. “A hora é essa!”, afirma.

Raízes e os primeiros passos no jornalismo

“Para falar dos 70 anos, tenho que falar do começo. Nasci junto com o rock and roll, com James Dean e “Satisfaction”, dos Stones, Beatles. Era o auge de Florianópolis, uma província deliciosa”, lembra Cacau. Na década de 1960, com dez anos, era ele o “mascote” do Avaí, seu clube do coração, onde conta que o aprendizado começou e, três anos depois, foi para o rádio transmitir futebol e não parou mais.

A juventude de Cacau foi moldada pelo espírito da época: Woodstock, Pelé, Garrincha, Bossa Nova, anistia e transformações no jornalismo. Influenciado por gigantes como Carlinhos de Oliveira, Tarso de Castro, Vinícius de Moraes e Tom Jobim, ele construiu seu próprio estilo: espontâneo, crítico e sempre autêntico.

Coqueiros, a miniatura do Rio de Janeiro

Cacau cresceu em Coqueiros, que ele descreve como um “Rio de Janeiro em miniatura”. A praia da Saudade reunia aqueles que buscavam a efervescência cultural da capital fluminense. A paixão pelo jornalismo veio por herança do pai, que também era jornalista. O estilo ousado, das roupas extravagantes às músicas que ouvia, foi sendo lapidado em viagens para Vitória e Rio.

A relação com motos e carros também traduz sua personalidade. “Ganhei minha primeira moto aos 13 anos, uma Leonette. Hoje, aos 70, realizo o sonho americano com uma Harley-Davidson.”

Paternidade, desafios e novas perspectivas

Cacau Menezes aos 70: uma vida entre polêmicas, paixões e jornalismo
Cacau e uma das filhas | Foto: Arquivo pessoal

Aos 70, Cacau se divide entre a profissão e a vida em família. Pai de quatro filhos e avô de quatro netos, diz que a juventude dos filhos o impede de envelhecer. “Quando vejo o Mick Jagger correndo no palco aos 80, penso: ‘também posso’.”

Sobre Florianópolis, cidade que chama de lar há sete décadas, é crítico, mas otimista. “Ainda é a Capital mais segura do Brasil. Mas qualquer cidade, hoje, exige cautela.”

Uma carreira longeva e de sucesso

De rádios como Jornal a Verdade à TV, passando por jornais como O Estado e o Diário Catarinense, Cacau construiu uma trajetória marcada por autenticidade. Começou cedo, sem faculdade, mas com curiosidade infinita. Em 1979, estreou na RBS TV, onde permaneceu por quatro décadas. Desde 2020, segue sua jornada no Grupo ND.

Venerado por muitos, sabe que não é unanimidade. “Se é segredo, não me conta”, avisa. Suas opiniões políticas afastaram alguns amigos, mas não sua paixão pela música. “Jamais vou deixar de ouvir Caetano ou Chico. Separar arte e ideologia é essencial.”

Laços familiares e o peso da história

Seu pai, Manoel, foi seu maior exemplo. “Me fez um homem, um guerreiro.” Já a relação com a mãe, Brasília, é um capítulo mais delicado, que ele pretende abordar no livro.

“Mantive uma certa distância, é algo que me deixa triste. Na minha infância e adolescência parecia ser a melhor mãe do mundo, depois, fez coisas que não foram legais. Mas é a mãe, sempre vou visitar, perdoei. Faço carinho na cabeça dela, ela fecha os olhos. Acho que a coisa que ela mais esperou foi essa aproximação. Qual é a mãe que não quer ter um filho, principalmente na despedida de vida do lado?”, diz Cacau, emocionado.

O futuro: entre emoções e despedidas

Em 2010, pronto para cobrir a Copa do Mundo na África do Sul, recebeu um golpe inesperado: o diagnóstico de câncer na próstata. Venceu a doença e fortaleceu sua fé. Acorda cedo, prepara seus textos e segue firme no jornalismo. “A vida não avisa quando vem a morte. Tudo é uma surpresa.”

Diz que ainda tem muito por viver. “Espero morrer dormindo. Mas, por enquanto, sigo aqui, sentindo-me um cara de 30. Minhas lembranças são de 12, 15 anos.”

Com três Marias em sua vida – Maria Cláudia, Maria Vitória e Maria Cândida – e um filho chamado Manoel, Cacau continua escrevendo sua história. “Sempre quis ser pai. Foi o maior impacto da minha vida.”

Apesar das perdas e desafios, segue de cabeça erguida. “Emoções eu vivi e elas vão continuar. E vocês vão ter que me engolir, como dizia o mestre Zagalo para os argentinos. Vamos em frente, segue o baile e pode ter certeza que, quando eu me sentir ultrapassado, cansado, desmotivado, injusto e sacana, vou parar.”

Com informações de ND+.




  • Invalid license, for more info click here
    Invalid license, for more info click here
    0%